O que fazer com o certificado de calibração?

  • 1.0 – Certificado de Calibração

    Com o recebimento do certificado de calibração, chegam também novas tarefas que precisam ser implementadas, tais como:

    1. a) – Montar um Critério de Aceitação (CA);
    2. b) – Validar o certificado de calibração, com base neste critério;
    3. c) – Criar uma sistemática de como esta validação é executada, normalmente em um procedimento;
    4. d) – Evidenciar esta validação, no próprio certificado de calibração;
    5. e) – Segregar os itens não conformes, que não passaram na validação, por Erro ou também Incerteza Expandida acima do tolerado.

    Todos estes assuntos relacionados acima, são itens de difícil compreensão e, são certamente onde acontecem os maiores problemas e o maior número de não conformidades em um sistema de gestão, independente da norma utilizada.

    2.0 – Critério de Aceitação (CA)

    O Critério de Aceitação (CA), consiste em número definido, normalmente, pela Correção e pela Incerteza Expandida, ou também pode ser um intervalo de aprovação, que tem como objetivo, não permitir que se utilize um equipamento, peças, faixa de aprovação, com Erro e ou Incerteza Expandida, maioresdo que os tolerados ou permitidos pelo seu processo. A dificuldade para o maior entendimento do Critério de Aceitação, é que há pouca literatura sobre o assunto, não é normalizado, não existe por exemploum DOC CGRE – Documentos explicativos adotados pela Coordenação Geral de Credenciamento – CGCRE, órgão ligado ao Inmetro, que ajuda ao usuário de calibração em várias tarefas. Por outro lado, não há ainda grandes cobranças nas auditorias ISO 9001, 14000 ou 18000 por exemplo, sobre o uso do Critério de Aceitação, durante as avaliações, o que dificulta ainda mais sua montagem, o entendimento e o uso. Esta cobrança está se iniciando nessas auditorias.

    Existem muitas formas de se montar um Critério de Aceitação, mas gostamos de modelos simples, rápido e de fácil utilização. Alguns modelos pregam que o (CA/3) ≥ IR, outros possuem contas mirabolantes e de difícil compreensão e execução, outros ainda trabalham com valores em percentual, mesmo que o equipamento não esteja nesta unidade, o que dificulta a aplicação. Continuando com a linha da simplicidade, adotamos apenas que o CA ≥ IR, ou seja, de que o Critério de Aceitação (CA), seja maior ou igual a Incerteza Resultante (IR), isto já nos basta. Vale salientar novamente, que se a unidade do meu instrumento é (g), a incerteza resultante também será em (g), e o CA, também deverá ser (g), facilitando a comparação que terei que fazer.

    2.1 – Critério Numérico

    Equipamento Marca Modelo Tag Critério Aceitação
    Balança Gehaka BK 300 BA 01 0,006 g
    Centrífuga Fanem EX 20A CE 01 20 rpm
    Condutivímetro Hach BC 12 CO 02 0,06µS/cm
    pHmetro Gehaka G 3D PH 03 0,05 pH
    Refratômetro Atago RX 5000 RE 01 0,03 %Brix

     

    2.2 – Critério por Intervalo

    É utilizado quando tenho um intervalo de aprovação, no nosso exemplo abaixo, esta faixa é de (0,2 a 0,8) pH. Isto estaria resolvido se não tivéssemos a Incerteza Resultante (IR), para ser descontada nos limites do intervalo de aprovação. Se tivermos por exemplo, uma IR = ± 0,1 pH, o novo intervalo de aprovação terá que descontar (+IR) no início e (-IR), no fim do intervalo, diminuindo a faixa de aprovação para (0,3 a 0,7) pH, conforme mostra a figura abaixo:

    criterio01

     Nota 1:

    Quanto pior for a qualidade do meu medidor, menor será a faixa de aprovação que me sobra, já que aumento a minha dúvida (IR), nas medições que faço e portanto, com isso terei ainda mais problemas de aprovação e aumento de custo.

    2.3 – Incerteza Resultante (IR)

    Incerteza Resultante, e a raiz quadrática do (Erro²+ Incerteza Expandida²), ou seja, IR = √(E² + U²), onde E = Erro e U = Incerteza Expandida, estes dados serão encontrados no certificado de calibração. Para diminuirmos a quantidade de contas feitas pegamos sempre a pior linha de cálculo do certificado, ou seja, onde temos o maior Erro e a maior Incerteza, mas sempre na mesma linha. No nosso exemplo abaixo isto acontece na linha do 100°C. Como citado acima, transformar a Incerteza Resultante ou mesmo o Critério de Aceitação em percentual é fazer duas contas desnecessárias, a primeira transformar por exemplo (°C) em (%) e a segunda para transformar novamente (%) em (°C), para se comparar ao Critério de Aceitação.

  • Tabela de Resultados de um Termômetro Digital

    (VN)(°C) (VO)(°C) (VP) (°C) (E)(°C) (U) (°C) (k) Veff
    -10 -10,1 -10,0 -0,1 0,1 2,87 4
    20 20,3 20,0 0,3 0,2 2,25 11
    100 100,6 100,0 0,6 0,2 2,00

    Legenda: VN = Valor Nominal, VO = Valor do Objeto, VP = Valor do Padrão, E = Erro, U = Incerteza Expandida, k = Fator de Abrangência e Veff = Graus de Liberdade Efetivos.

    IR = √ (E² + U²)è

    IR = √ (0,6² + 0,2²)

    IR = 0,63°C

    Nota 2:

    Pegamos a pior linha, ou seja, os maiores valores para o Erro (E) e para a Incerteza Expandida (U), mas sempre na mesma linha de cálculo, no nosso exemplo, linha do 100°C.

     Nota 3:

    O Critério de Aceitação, terá que ser um múltiplo (2x, 3x) de IR, pois se for apenas (1x), podem aumentar o erro e incerteza na próxima calibração e o equipamento não ser mais aprovado, ou validado. Porém precisamos perguntar ao Processo se podemos, por exemplo, medir 100°C e errar (2x) ou seja 0,63 x 2 = 1,26°C? Se a reposta for sim, permanece 1,26°C, ou até possa ainda aumentar, conforme a resposta do seu processo. Entretanto, se a resposta for não, podemos diminuir o Critério de Aceitação, ou ainda substituir o termômetro por outro com menor erro, maior resolução, de melhor qualidade etc.

     2.4 – Equipamentos como Banhos, Câmaras, Estufas, Muflas, Reatores etc.

    Equipamentos que possuem set point, normalmente equipamentos de Temperatura, sobra como parâmetro para comparar ao CA, apenas a Incerteza Expandida, já que o Erro pode ser corrigido e eliminado no ajuste do Set Point. Suponhamos que, precisamos trabalhar, com um banho termostático em 20,0°C, e que o erro em 20°C, retirado do certificado de calibração,é (-0,2°C). Podemos corrigir o erro, invertendo o sinal somando-o algebricamente ao set point desejado. Portanto, basta ajustar o set point para 20,2°C, que o erro será eliminado, ficando a Incerteza Resultante (IR) igual a Incerteza Expandida (U)apenas e, neste caso, nem precisaremos fazer a raiz quadrada dos termos, já que temos apenas um termo envolvido, já que o erro já foi eliminado, com o ajuste do set point.

    3.0 – Validação do Certificado de Calibração;

    A validação do certificado, é a análise que é feita tomando como base o Critério de Aceitação (CA), já previamente montado. A Incerteza Resultante (IR), tem que ser menor ou igual ao Critério de Aceitação, nesta condição o certificado está aprovado, portanto validado. Com esta análise e aprovação, tem-se aí também a liberação para uso.

    4.0 –Sistemática da Validação

    Em algum documento, por exemplo, um procedimento, deve estar escrito como é a sistemática de validação, deve ter também o Critério de Aceitação, como é calculado a Incerteza Resultante, quem é responsável pela validação e a forma como está validação se dá na prática. Sistemas simples são sempre benvindos, mais fáceis de executar. Em alguns sistemas existem formulários (extensos) para fazer a validação do certificado, gasta-se tempo e dinheiro, e não melhora o Sistema da Qualidade como um todo, até pode piorá-lo, com preenchimento de tantos dados o que pode levar a erros.

    5.0 – Evidência da Validação

    Continuando na linha da simplificação, a evidência da validação, pode ser um carimbo na primeira página do certificado de calibração, com os dizeres, (validação, responsável e data). Este carimbo precisa estar na primeira página do certificado, e nunca no verso por exemplo, para que quando houver uma reprodução, esta evidência não se perca ou seja preciso a criação de uma folha extra para isso.

    A validação é a aprovação do certificado e a disponibilização para uso.

    6.0 – Segregação de Itens Não Conformes

    A validação é uma análise onde o certificado pode não ser aprovado, em função principalmente dos Erros e da Incerteza Expandida.

    Quando a incerteza resultante for maior do que o Critério de Aceitação,este equipamento está “Não Conforme”, não pode ser utilizado. Esta condição de não aprovação, pode ser feita através de qualquer aviso ou etiqueta pregada ao equipamento, porém deve sempre seguir a sistemática descrita no procedimento, para esta atividade.

    Uma das funções da validação, é selecionar através de um critério simples aqueles equipamentos que podem ser utilizados e os que devem ser segregados, substituídos e descartados, apenas fazendo uma comparação simples com um critério já existente.

    Alguns equipamentos precisam ser substituídos, outros reparados, outros apenas relocados para setores menos críticos.

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